Um levantamento global conduzido pelo Pew Research Center revelou que a proporção de cidadãos que avalia as redes sociais como prejudiciais à democracia registrou aumento significativo em comparação a dados de 2022 e 2023. O crescimento dessa percepção negativa foi registrado em 16 dos 26 países onde havia histórico comparativo disponível.
Na mediana apurada entre os 37 países participantes, a visão favorável ainda prevalece numericamente: 55% dos entrevistados consideram que as plataformas trouxeram impacto positivo para o regime democrático, frente a 35% que enxergam efeitos negativos.
Contraste entre economias de alta renda e países em desenvolvimento
O ceticismo quanto ao papel democrático das plataformas concentra-se com maior intensidade em países ricos. Metade ou mais da população considera as redes nocivas em sete economias de alta renda avaliadas: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. Em contrapartida, Singapura e Israel despontam como exceções desse grupo de renda elevada, registrando parcelas relativamente baixas de reprovação.
O cenário se inverte em economias com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Em nações como Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, aproximadamente três em cada quatro entrevistados ou mais declararam que as redes sociais beneficiam a democracia.
Preocupação com desinformação, polarização e hábitos de uso
Apesar dos contrastes econômicos, preocupações com os efeitos das plataformas são compartilhadas em larga escala. Uma mediana de 79% dos entrevistados nos 37 países afirmou que os serviços digitais facilitaram a manipulação da população por meio de informações falsas, enquanto 68% apontaram que eles aumentaram a divisão política.
Por outro lado, o acesso à internet e às redes é reconhecido por fornecer utilidade informativa e cívica: 77% dos entrevistados, na mediana global, afirmam que a conectividade deixou a população mais bem informada sobre fatos atuais, e 60% destacam o aumento da capacidade individual de ter voz ativa na política. Além disso, adultos mais jovens e com maior grau de escolaridade demonstram maior otimismo sobre esse impacto do que cidadãos mais velhos ou com menor instrução formal.
Entre as cinco plataformas investigadas no estudo global do Pew Research Center, o Facebook desponta como a mais utilizada pelos participantes, seguido diretamente pelo Instagram.
Cenário nos Estados Unidos e medidas regulatórias
Nos Estados Unidos, 64% dos adultos declararam que as redes sociais são prejudiciais para a democracia, patamar estável em relação a 2022. A sensação de cisão é ampla no país: 81% dos norte-americanos acreditam que a internet e as redes ampliaram a divisão política da sociedade, sem variação partidária expressiva, reunindo 83% entre republicanos ou inclinados ao partido e 82% entre democratas ou inclinados.
A inquietação com as plataformas coincide com pressões jurídicas e regulatórias sobre empresas como Meta, Snap e TikTok, que enfrentam milhares de ações nos tribunais e já efetuaram pagamentos expressivos para solucionar litígios ligados a supostos danos aos usuários. Paralelamente, medidas governamentais ganham força: a Austrália se tornou o primeiro país a proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, restrição que conta com o apoio de 82% dos adultos australianos segundo os dados do instituto.
- Início da coleta de dados do Pew Research Center com adultos nos Estados Unidos
- Início do trabalho de campo internacional da pesquisa em 37 países
- Término da etapa de levantamento global de dados nas 37 nações
- Conclusão da coleta de entrevistas temáticas sobre redes sociais nos Estados Unidos
- Publicação oficial do relatório do Pew Research Center sobre impacto na democracia